sexta-feira, 23 de novembro de 2012

GRUPOS DRAMÁTICOS






"O teatro popular não é um movimento estético é um movimento social"

"Nessa época eu tinha deixado de fazer TV e como no Sesi ia haver um concurso para trabalhar como ensaiador de peças, na época chamava-se assim, prestei esse concurso e passei em primeiro lugar. O Nicanor Miranda que fazia parte da banca, era o chefe do Serviço de Teatro do Sesi.
(...) 
Optei por aceitar a função de ensaiador, porque estaria lidando com teatro que era minha meta, fui para Santo André ensaiar um grupo do “clube” da Fábrica Rhodia. O mais  interessante é que encontrei nesse grupo um pessoal esforçadíssimo. O Chiarelli que era chefe da “troupe” era muito dedicado e um bom cômico. Ensaiei com eles o Maluco n.º 4 de Armando Gonzaga que foi um sucesso estrondoso. O Armando Gonzaga é um autor que faz sucesso, claro que não para a elite intelectual. As peças dele funcionam para o grande público popular. Os cenários eram alugados na Casa Teatral, quase tudo que usávamos era alugado. Eu morava no Cambuci e pegava um ônibus que passava na Av. Independência, era uma viagem longa até chegar em Santo André. O ensaio era às 20 horas e eu tinha de tomar o ônibus às 18 e 30 horas, durante o percurso aproveitava para ler.
(...)
Fazer um teatro popular voltado para a grande massa era uma velha ideia que começou a se solidificar na Rhodia. A cada nova peça a casa enchia que era uma loucura! O público se divertia tanto que queria ver de novo a peça e vinham várias vezes.
Comecei a perceber que peça brasileira faz grande sucesso, sucesso que se repetiu mais tarde no Teatro Popular do Sesi, quando montei, “Manhãs de Sol” de Oduvaldo Viana. Havia assistido essa peça, ainda rapazinho, em Campinas com a Cia. de Emílio Russo e Norma de Andrade, o espetáculo fascinou-me ficando na minha lembrança. E o Paulo Mendonça, que assistiu a minha montagem no TPS, em sua crítica chegou a comentar que essa escolha  devia ter sido motivada por alguma fixação de infância. Algum tempo depois tive a oportunidade de lhe dizer que tinha acertado em cheio, isso foi quando estivemos juntos na diretoria da APCT, que depois virou APCA, ele como presidente e eu como secretário. O Paulo Mendonça foi um crítico que amava o teatro acima de tudo, suas críticas eram muito bem feitas, foi um crítico muito importante.
(...)
GRUPOS DRAMÁTICOS 
Entrei no Sesi em 1951, para ensaiar grupos dramáticos, o Sesi tinha uma estrutura de teatro completamente arcaica. Havia um grupo dramático na rua Visconde de Parnaíba, que era o Clube do Trabalhador, lá o Nicanor Miranda ensaiava os grupos dramáticos e o Sesi resolveu contratar mais ensaiadores para desenvolver o teatro nas indústrias. Foi por isso que eu fui para a Rhodia, mas, com o decorrer do tempo, esses grupos dramáticos não eram nem de operários, nem de estudantes, era de gente que queria fazer teatro. Acho até que era interessante, mas quem assistia aos espetáculos eram amigos, família, pessoal do clube que patrocinava o teatro. Tinham trinta e tantos grupos dramáticos, era uma coisa de louco!, cada ensaiador tinha dois, três grupos e cada ensaiador... um era pior que o outro! Aquilo me deixava meio confuso, meio atrapalhado, porque eu achava que o Sesi tinha obrigação de fazer um teatro melhor, porque os grupos eram de atores fracos, que não tinham condições de fazer teatro, então os espetáculos eram falhos, os cenários eram alugados na Casa Teatral, os móveis, tudo... foi como eu fiz na Rhodia!" (ORC) 

(in Osmar Rodrigues Cruz Uma Vida no Teatro Hucitec 2001)

SESI - Serviço Social da Indústria
APCT - Associação Paulista de Críticos Teatrais
APCA - Associação Paulista dos Críticos de Artes


VISITE TAMBÉM 
WWW.BLOGDOVICTORINO.BLOGSPOT.COM

domingo, 18 de novembro de 2012




COLUNA DE TEATRO - O GLOBO - POR ZORA SELJAN – 17/06/1960
“O Teatro e sua Técnica”
Acaba Osmar Rodrigues Cruz de publicar pela Livraria Teixeira, de São Paulo, um bom trabalho intitulado “O Teatro e sua Técnica”. Este livro como diz o autor, não tem a pretensão de doutrinar, nem apresentar algo novo. Dirige-se aos amadores, àqueles que se iniciam na arte dramática.
Aconselhamos este livro por ter-nos parecido honesto e feito por que revela grande experiência de professor. Achamos que livros assim podem impulsionar o movimento teatral amador e mesmo criar teatro em lugares que não existem cursos de arte dramática. Para que se tenha ideia de sua validade, basta uma vista de olhos no prefácio e na seleção de matérias: ARTE DE DIZER: respiração - mecanismo de voz – pronúncia – declamação – dicção – análise do texto – inflexão – palavras de valor – ritmo; ARTE DE REPRESENTAR: introdução – conhecimentos gerais – o ator e o comediante – vocação e inteligência – a estrutura do palco – interpretação interior, estudos preliminares – o caráter, as emoções - observação e estudo do papel – a verdade – memória e emoção – imaginação – concentração, ação interpretativa – identificação – ritmo – interpretação exterior. Expressão corporal das emoções – relaxamento dos músculos, ginástica rítmica – gestos – fisionomia – mímica – pantomima – improvisação – representação; A ENCENAÇÃO: direção – representação dos atores, cenário – indumentária – iluminação – adereços – pessoal técnico – texto – vocabulário; ILUMINAÇÃO CÊNICA: a evolução – análise prática – notas técnicas.
Transcrevemos ao acaso um dos temas abordados, o de “Ator e o Comediante”, Louis Jouvet distingue na arte de representar duas classes de intérpretes: o ator e o comediante. “O ator é aquele que interpreta um só gênero dramático, isto é, comédia ou drama. Mesmo que tenha uma bagagem técnica e cultural muito grande, ao tentar outro gênero, não consegue uma interpretação verdadeira. Cita Sarah Bernardt o caso de Cocquelin, que tinha como maior desejo interpretar uma tragédia, todavia seu físico e sua fisionomia não o permitiam. Já o comediante, pelos dotes físicos ou naturais, é aquele que pode com igual perícia dar a ambos os gêneros interpretação de valor”.

VISITE TAMBÉM 
WWW.BLOGDOVICTORINO.BLOGSPOT.COM