domingo, 4 de março de 2012

Algo sobre o teatro











Encenação da peça "As Mulheres não querem Almas" (1950) 


ARTIGO – DIÁRIO COMÉRCIO E INDÚSTRIA – 18/12/1949
Algo sobre o teatro
Na falta de verdadeiros espetáculos para começar, passamos a escrever algo sobre teatro; alguns rudimentos sobre o que vem a ser o ato teatral, qual a sua situação verdadeira. Enfim, o que é a representação de uma peça e quais os seus responsáveis.
Não vamos aqui escrever sobre história do teatro, literatura dramática, arte de representar, direção, etc.; para tanto seria necessário escrever muitos capítulos. Somente pretendemos dar uma ideia do que é a arte do teatro em sua essência, quais os elementos que a formam e que respondem pela sua execução.
Veremos, inicialmente, o que vem a ser teatro: na generalidade, teatro é o lugar onde se passa determinado fato que provoca o interesse geral. Está aí a simples definição do fato a que se dá o nome de teatro. Mas, vamos ver o que é arte teatral. É o espetáculo onde se representa um determinado fato, criado pela imaginação do homem, ao público em geral.
Talvez não possamos reunir nessa definição o que vem a ser essa complexa arte, tão cheia de minúcias como a própria vida. Entretanto, ela define o que é o ato representativo, isto é o espetáculo como arte criadora. Para deixar mais clara nossa ideia daremos dois exemplos que hão de distinguir bem essas duas definições: as crianças quando brincam de “fazer de conta” estão praticando inconscientemente um ato teatral onde a representação é o principal objetivo. Estão “fazendo de conta” que cada um deles é um personagem da história de sua imaginação. Vejamos agora, quando o espetáculo apesar de estar no palco, não é arte teatral, isto é, não possui a essência da arte dramática: no palco estão vários acrobatas, ginastas, mágicos e etc., nenhum deles faz parte de alguma representação, estão apenas mostrando ao público as suas habilidades próprias, sua própria pessoa e não outras, fruto da imaginação criadora de um autor dramático.
Assim, já podemos ter uma simples ideia do que é a arte cênica.
Veremos, agora, quais são os principais criadores dessa arte. Toda ela depende de três fatores iniciais: o autor, o ator, e o diretor. Neles estão contidas todas as inúmeras partículas  de uma encenação, desde o texto até a representação dada ao público. Para a formação desses elementos, há necessidade, é claro, que cada um possua uma preparação no que diz respeito à cultura geral e artística.
O autor é a fonte de onde surge o argumento escrito, o texto, composto dentro das leis da literatura dramática, onde uma determinada ação é transformada em diálogos, dando origem a vários caracteres, com a sua própria constituição sem apresentar semelhança um para com o outro. O enredo deve iniciar por uma apresentação de tipos, depois o choque entre eles que vem a ser o desenvolvimento da história, e, finalmente, o desfecho. Essas considerações, em simples palavras são a fórmula da criação do texto dramático. Assim, conforme a ação, pode-se denominar de tragédia, comédia, farsa, etc.
A seguir temos o ator ou atores; esses têm a seu cargo a transposição para cena dos caracteres escritos pelo autor. É o ator um indivíduo preciso do teatro. É ele que contém em si todos os elementos da expressão corporal na arte dramática, é o único dos três – autor, ator, diretor – que mais diretamente está em contato com o público, servindo de meio entre os outros dois.
Finalmente é o diretor de cena, ou encenador, outro responsável pela arte do teatro. Desde a Grécia, onde surgiu o teatro, é ele um precioso e indispensável elemento da representação. É a mão que coloca, regula e apara a exteriorização de uma peça. Captando a idéia impressa pelo autor no texto, ele controla o trabalho do ator e cria todo aquele universo de som, movimento e luz que é a encenação. Ainda estuda a cenografia, a indumentária, as luzes, a música e a dança , com a colaboração de seus auxiliares. Estuda ele, enfim, a interpretação que dará à obra do autor, colocando em cena a peça sem modificar o seu conteúdo, podendo, entretanto, usar a forma que lhe parecer melhor para expressar a sua concepção e a do escritor, para que o público compreenda a ideia principal. Homem de intuição e cultura artística é o diretor o eixo que controla o espetáculo.
Aqui estão, simples palavras, explicando fatores que para alguns estudiosos nada representa, mas, para outros servirão como esclarecimentos de algo sobre o teatro. Principalmente agora que para o bem de nossa gente ele começa a ter mais adeptos e trabalhadores, o que somente poderá trazer benefícios à nossa cultura.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Teatro de Ideias e de Emoções














Elenco da primeira direção de Osmar Rodrigues Cruz
"Adeus Mocidade" - Teatro Universitário


ARTIGO – “CLAN” – 05/1948
Teatro de Ideias e de Emoções
Ao estudarmos a arte dramática através dos tempos, verificamos que sempre houve em Teatro, a ideia e a emoção. O teatro de ideias é aquele em que o autor faz transparecer um motivo social, moral ou religioso. Tanto na comédia como na tragédia, e a ideia de apresentar o seu ponto de vista sobre determinado fato da vida. Os grandes dramaturgos que desde a Grécia até os nossos dias têm baseado suas peças num tema ideológico, não faziam o que hoje chamamos Teatro espetáculo.
Gino Saviotti chega a dizer no seu “Paradoxo sobre o Teatro” que Ibsen, De Curel, Shaw e Pirandello mataram o Teatro pois suas peças não visam somente a arte, mas sim, um meio para difundir suas ideias. Apesar desses homens terem seus nomes ligados à história da dramaturgia, são considerados, assim como por Saviotti, como literatos, mas nunca dramaturgos.
Por essas sugestões podemos verificar algo sobre esse Teatro. Nós que sabemos o valor daqueles escritores, podemos nos surpreender ao ver tão grandes nomes rejeitados pela Arte Dramática. Entretanto o que o mestre do Conservatório de Lisboa quer dizer é que o “Teatro é somente emoção, que o palco não é tribuna”. Num espetáculo deve existir unicamente o caráter teatral, nada mais.
Após essas deduções nós entramos no setor emocional do Teatro. Na arte o importante é a emoção; pois bem, sendo o Teatro, Arte, forçosamente ele será o reativo para despertar essa emoção. Exemplos temos aqui mesmo, no Brasil com Nelson Rodrigues, nos Estados Unidos com Eugene O’Neill.
Perguntamos qual dos dois deixa de ser Teatro? Tudo depende do ponto de vista em que o leitor compreende o Teatro.
Para nós o Teatro de ideias quase sempre não parece um grande espetáculo do ponto de vista da encenação, exceto em algumas peças. Existem peças que somente contém troca de ideias de problemas sociais ou morais. Para exemplificar podemos citar Joracy Camargo que faz de suas peças, conferências, característica da escola seguida por ele.
Já em Pirandello, que ironiza várias situações sociais e morais, o seu Teatro não deixa de ser ideológico, mas possui bastante teatralidade o mesmo acontecendo com Shaw. O Teatro pode ter um fundo social, mas que não perturbe o seu conteúdo teatral. Talvez por isso é que os encenadores não apreciem tanto esse teatro onde basta um bom ensaiador que cuide da unidade e equilíbrio cênico, não havendo necessidade de um diretor que, além do texto, cuide da parte do espetáculo.
Já o Teatro emocional é aquele em que o encenador prepara o espetáculo em que ele é parte integrante, formando o trio que Bragaglia tanto citou: AUTOR, ATOR, e DIRETOR. No Teatro de emoção, os três são indispensáveis porque os três formam o espetáculo. Nessa escola teatral não existe nada que provoque uma determinada emoção no espectador, nada que o faça sair do teatro aprendendo qualquer coisa, mas que somente a sua sensibilidade saia satisfeita. Ele poderá discutir sobre a teatralidade do espetáculo, mas nunca como nas peças de Ibsen em que se discute se o problema apresentado pelo dramaturgo norueguês é certo ou não. Por isso Shakespeare foi o autor mais procurado pelos encenadores modernos, porque suas peças não possuem indicações de cenários e remarcas, somente texto. Nele o encenador inspira-se e constrói o espetáculo. Podemos discutir os personagens do dramaturgo inglês, mas nunca o teor social ou moral de suas peças. Hamlet, Macbeth, Othelo, Romeu e Julieta, são caracteres humanos, nunca símbolos sociais ou morais, mas símbolos dos sentimentos humanos: a vingança, o ódio, o ciúme, o amor.
Nós adotamos o Teatro emocional mas em absoluto combatemos o outro. Nunca poderíamos dizer que Ibsen não foi um dramaturgo genial. Ibsen teve a sua época deixando um grande nome na história.
Hoje o Teatro é espetáculo, é conjunto, é orientação. É Jean Louis Barrault na França, Bragaglia na Itália, Gordon Craig na Inglaterra, Max Rheinhardt nos Estados Unidos, e Stanislawski na Rússia. O Teatro com esses nomes voltou a ser novamente o espetáculo de Arte. Esses homens fizeram pelo Teatro o que Beethoven pela Música e Picasso pela pintura, quebraram a forma até então usada e iniciaram uma época que servirá de marco para o Teatro do futuro.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Jornalista Osmar Cruz

ARTIGO - Jornal “CLAN” – 09/04/1948
Teatro de Vanguarda
- Que é Teatro de Vanguarda? É aquele que apresenta sempre uma maneira nova em suas realizações. É o teatro que está sempre pesquisando ambiente, formas e estilo. Esta pesquisa não é somente em relação à apresentação do espetáculo, mas desde o autor até um simples foco de luz. Este é então o Teatro de Vanguarda.
O único autor a fazer esse gênero no Brasil é Nelson Rodrigues. Com “Vestido de Noiva” e por último, “Anjo Negro” ele conseguirá, com o decorrer dos anos, fazer com que o público aprecie as peças de Vanguarda, isto sem deixar de lado a direção cênica que Ziembinski dá as suas peças. Esse grande mestre de teatro é no momento, o diretor mais procurado, haja vista que a Sra. Morineau o convidou para dirigir a tragédia grega “Medéia”, com que estreará proximamente.
Nós, somente o ano passado, após três anos de luta no “Teatro Universitário” do Centro, resolvemos iniciar um Teatro de Vanguarda. Mas, faltava-nos a peça. Enfim, resolvemos encenar “Os Espectros”, de Ibsen, tragédia violenta e de grandes dificuldades de interpretações. Demos a esta peça um tratamento novo. Conservamos somente o texto, deixando todas as remarcas, quer de cenários, quer de movimentos cênicos. E procuramos fazer de “Os Espectros” um espetáculo de Vanguarda, mas não este teatro para uma pequena elite, não. Foi para o grande público. O nosso intuito surtiu resultado. Toda a platéia gostou e compreendeu. Isto feito, ficamos satisfeitos. Estamos para reprisar esta tragédia, e aqueles que não a assistiram poderão apreciar e ver mais ou menos o que vem a ser Teatro de Vanguarda. Iniciamos, há poucos dias, a encenação de uma nova peça escrita para o nosso Teatro, por Alair Sá do Valle, intitulada “Os Miseráveis também têm alma”. Peça nossa, feita por nós e será apresentada por nós. Esse será um verdadeiro espetáculo de Vanguarda. Desde o texto até o cenário, tudo será pesquisa no campo teatral. Esperamos que o nosso objetivo seja compreendido e não ridicularizado por pessoas que, presas ao teatro de três paredes com teto, se julgam os sabidões em arte teatral, mas nunca procuraram fazer um pouco por esta arte, que tanto difere do cinema, mas que estava quase morta por eles, tudo por causa desses “profundos conhecedores”, que nunca saíram do campo em que começaram. Assim é que o “Teatro do Estudante do Brasil”, o primeiro reformador do teatro no Brasil, que tanto tem feito, graças ao arrojo e conhecimento de Paschoal Carlos Magno, conseguiu encenar “Hamlet” de Shakespeare, “A Castro” de Antônio Ferreira e proximamente, “Antígona” de Sófocles. Quem consegue levar por amadores três grandes peças como essas só pode merecer o carinho e o aplauso do Brasil todo. Apesar disso ele foi atacado por Procópio Ferreira, o ator que conseguiu vencer enquanto o teatro era privilégio de meia dúzia de atores-diretores que nada de novo davam ao público, muito menos teatro. Mas Paschoal Carlos Magno quebrou essa norma, tornou-se um marco vanguardista no teatro brasileiro, e seu nome será um apoio a todos aqueles que desejarem fazer teatro de verdade. Todo brasileiro deve render-lhe homenagem pela grande obra cultural e artística iniciada por esse animador do teatro. Esses que acham que o teatro é uma tribuna onde devemos pregar a moral, fazendo da sala de espetáculo uma sala de aula, que colocaram o teatro na posição em que até a pouco ele se encontrava, o teatro não é isso, mas sim uma arte. Nós nunca procuramos numa peça de música uma lição de moral, muito menos num quadro de pintura. Interessa-nos somente a estética, a plástica da obra de arte, assim é o teatro, arte como é, em si todas as características, usando e reunindo todas as outras, mas nunca se confundindo. Teatro é somente teatro, quem o faz, baseando-se noutra espécie de arte, não faz teatro, mas sim ajuda a matar o mesmo. Por isso é que no século passado, até o início deste, caiu muito, porque o chamado drama burguês, fez do teatro, literatura, usando o palco para discutir idéias, quando o palco é para se apresentar teatralmente um espetáculo de arte em que somente a sensibilidade poética vibre. Nós ainda não fomos compreendidos, porque, talvez, uma cultura mais aperfeiçoada nos facilitaria a apresentar nossas ideias. Ou quem sabe se a falta da mesma seja geral...
Enfim, continuaremos a fazer teatro “teatral”, aquele que visa somente proporcionar ao público uma sensação nova que possa queimar suas emoções, o suficiente para poder viver no mundo de hoje, onde somente a ambição domina os cérebros dos homens.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Nada mudou desde 1943...


MANIFESTO DO CENTRO ACADÊMICO “HORÁCIO BERLINCK
Os alunos da Faculdade de Ciências Econômicas de São Paulo, reunidos em Assembléia Geral Extraordinária do Centro Acadêmico “Horácio Berlinck”, tendo em vista:
Que a injustificável atitude de certos elementos da Polícia do Estado de S. Paulo, violando rudimentares normas de direito, desconhecendo que elas existem para manter e garantir o convívio social, exorbitando a autoridade que lhes foi concedida pela organização política da Nação, invadindo o recinto do Centro Acadêmico “XI de Agosto” da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, depredando-o, e espancando estudantes indefesos, congregados na defesa dos legítimos interesses da Nacionalidade, constituí um ato para o qual, mal grado a nossa boa vontade, não conseguimos encontrar justificativa  em qualquer regime democrático, sendo violências dessa natureza características de demagogias políticas sustentadas por povos que hoje o Brasil combate, dispostos a preservar os sagrados direitos do homem,
RESOLVE:
a) Hipotecar, que de maneira positiva, sua irrestrita solidariedade aos colegas ultrajados, lançando o presente manifesto, para que fique patente a repulsa da classe aos métodos de violência e vandalismo;
b) Suspender todas as atividades escolares até que sejam reparados os danos causados àqueles nossos colegas e a classe.
Dirigimos o presente manifesto à Nação Brasileira para que ela tenha conhecimento dos propósitos e das razões que o determinaram.
Sala de sessões do Centro Acadêmico “Horácio Berlinck”, em 5 de Novembro de 1943.                                                   

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Partido Acadêmico Democrata













MANIFESTO DE CONSTITUIÇÃO DO PARTIDO ACADÊMICO DEMOCRATA DO CENTRO ACADÊMICO “HORÁCIO BERLINCK” - FACULDADE DE CIÊNCIAS ECONÔMICAS DE SÃO PAULO
Os motivos que determinaram a fundação do Partido Acadêmico Democrata estão vinculados às exigências políticas do momento, em nossa Faculdade.
A mocidade acadêmica da nossa Escola precisava ter um partido que realmente representasse as suas aspirações democráticas e progressistas – um intérprete e propugnador de seus ideais renovadores – fugindo, assim, a toda rotina do passado.
A bandeira que ora desfraldamos – o Partido Acadêmico Democrata – é, por isso, de todos os que pretendem efetivamente elevar o nome do Centro Acadêmico “Horácio Berlinck”, colocando-o em seu verdadeiro lugar, que é o de defender os anseios da coletividade estudantil da Faculdade de Ciências Econômicas de S. Paulo.
A fundação do P. A. D. é, pois, um imperativo da hora presente.
Pressentimos, na incerteza dos dias atuais, os riscos de deformação e de morte a que se acham expostas as instituições liberais. Eis porque em todas as realizações que o P. A . D. empreender, os interesses coletivos sobrepujarão sempre e sistematicamente os estreitos e mesquinhos interesses individuais.
O programa do P. A . D. consistirá em batalhar por uma união, em bases mais amplas, de todos os estudantes em torno de seus órgãos de classe. O Centro Acadêmico “Horácio Berlinck”;  em criar uma representação de estudantes junto à Congregação da Escola; em desenvolver uma política sadia, interna e externa do Centro, de modo que esteja apto a acompanhar e tomar parte ativa da política acadêmica em geral, tornando-o cônscio de seus deveres cívicos e culturais; em despertar em nosso estudante, por meio de livros e revistas, jornais, palestras e conferências mensais, uma vontade honesta de conhecer os problemas econômicos, culturais e políticos do Brasil e do Mundo; em divulgar cultural, política e economicamente o ideal democrático da mocidade acadêmica; e, finalmente, concorrer às eleições do Centro.
Os fundadores do P. A . D. não pretendem ter qualquer influência política na Escola, depois de terminado o Curso.
Em nosso meio e em nossas intenções não existem interferências externas e nem ideologias estranhas aos supremos interesses democráticos da classe e do Brasil. Como não se abrigarão, também, à sombra do P. A . D. os que não tiverem consciência capaz de compreender as reivindicações de nossa classe, quando postas em jogo.
Qualquer propaganda feita, portanto, no sentido de querer estabelecer confusão, quanto aos nossos meios e fins será desmascarada de forma draconiana!
Apresentaremos assim a nossa propaganda e a nossa chapa às próximas eleições do Centro, dentro da mais rígida e absoluta norma de lealdade democrática!
Dentro desses princípios invioláveis de conduta, iremos até o fim de nossa campanha!
Urge, pois, consolidar a nossa vitória inicial, dando-nos a força necessária à consecução dos nossos ideais!
Vislumbramos já, no horizonte claro dos nossos propósitos, a fé e a confiança do eleitorado consciente!
Avante colegas, com o P. A . D., em marcha vitoriosa para a conquista da união de todos os estudantes da nossa Faculdade de Ciências Econômicas!
A vitória do P. A . D. significará a objetivação de nossos ideais acadêmicos!
Abelardo M. de Andrade, Alcides de Almeida, Alfredo Blundi, Álvaro C. Nogueira, Américo G. Requera, Ana Rosa  A . Prado, Ângelo Lavander, Antonio Mejdalani, Antonio Trombette, Arlindo Donato, Armando Delneri, Attilio Benedetti, Cesar Yazig, Cide Ribeiro, D. E. Glielmi, David Maluf, Domingos Donadio, Domingos Giacomini, Edgard Carvalho de Mendonça, Eduardo Gimenez Ruiz, Eny Amaro, Ernesto S, Fausto, Eugênio Lefrève Neto, Eunice G. Azevedo, Fábio C. Sampaio, Fernando G. da Silva., Fernando Prado Leme, Francisco Boni Netto, Francisco P. Morganti, Francisco Rodrigues, Geraldo Passareli, Hideshi Morita, Jamil Zantut, João Leite Alves, João Rezemini, João Vigelis Jr., Jorge Nakasi, José Belfiore, José C.M. Laurino, José C. Sampaio Correia, José C. Sobrinho, José F. Cabrera, José M. Paula Silva, José Newton J, Rios, José Velásques Vargas, Lázaro A, Domingues, Luiz Bacchi, Lupércio Rodrigues Haro, Manuel Lozardo de Almeida, Marcos Lottemberg, Mario F. Batis, Mario Hélio C. Cesar, Marios O . A . Rathsan, Milton Mendes, Moyses Zanlug, Nelson Zambrini, Newton Del Tedesco, Oscar de Oliveira, Osmar Rodrigues Cruz , Osvaldo Chiarion, Paulo de P. Sales, Piera Nicheri, Plínio Bonodio Cara, Poerio Zilo, Raul França, Renato Filepo, Rinaldo de Carvalho, Ruy Santos, Sadao Toshimoto, Severino S. Pereira, Shigeto Sato, Suzana Marques Dias, Tabajara A . Silva, Waldemar Sellmer, William Orsi, Z. B. Pinto.


sábado, 28 de janeiro de 2012

OSMAR RODRIGUES CRUZ – ESCRITOR




Quando escrevemos nosso livro tivemos de excluir algum material, pois se tornara extremamente extenso. Escolhemos exatamente os artigos escritos por Osmar desde seus tempos acadêmicos. São esses artigos que expomos agora semanalmente, para que conheçam mais essa faceta do diretor.
São artigos para jornais e revistas sobre diversos temas, predominando, é claro, o teatro. Espero que gostem e comentem.


ARTIGO JORNAL CLAN (ÓRGÃO DO CENTRO ACADÊMICO) POR OSMAR RODRIGUES CRUZ – 05/1945
“Importância da Música”
Nós, que vivemos sempre em novos estudos para galgarmos o último degrau de nossa vida escolar, teremos que incluir, na nossa formação intelectual, a música. Sem dúvida alguma, é ela que nos leva ao máximo do conhecimento filosófico; e a esse respeito dizia Beethoven: Mais do que a filosofia, a música dá ao homem maior alcance do Universo, e o faz esquecer de todos os sofrimentos e de todas as misérias humanas”. Esta frase, que tanta verdade contém, é para alguns um dito jocoso, sem fundamento. A música é uma dádiva maravilhosa da natureza, por isso, ouvi-la, é um grande prazer, mas, para aqueles que não a apreciam, é martírio é sacrifício. Para os primeiros é que o Centro resolveu organizar uma discoteca e com ela promover concertos todos os sábados à tarde. Aqueles que possuem o Dom de apreciação, nós os receberemos com a maior das simpatias, entretanto, para aqueles que não sentem satisfação, mas que desejam entrar em contato com esse mundo de vibrações sonoras, nós estamos de porta aberta e com boa vontade para recebê-los e incutir no seu espírito a beleza que reside na música. Organizando programas adaptáveis a todos e comentários que possam facilitar a compreensão da divina das artes, todos poderão encontrar um ambiente propício ao seu melhor conhecimento. A música não é um prazer qualquer que se aprecie ou se deteste, não! A música é uma arte que se compreende, e devemos procurar penetrar em seu reinado pouco a pouco caminhando vagarosamente, como o fizemos no início da nossa vida escolar, onde começamos a aprender a ler primeiro com as vogais e depois com as consoantes e, finalmente, acabando por soletrar todas as palavras do vocabulário. Assim é a música, para os leigos começa com as dos românticos, desde Beethowen – pois este terminou a era clássica e iniciou o romantismo – até Liszt. Essas músicas nos dão uma sensação do belo e colocam-nos frente a frente com uma deliciosa melodia. Sua música não tem a brutalidade dos modernos e nem a estética dos clássicos, mas possui os romances, as tristezas e os sofrimentos em cada uma de suas notas. Depois dessa passamos aos clássicos; estes que precederam os românticos, possuem uma música tecnicamente perfeita, sendo que sua música é uma verdadeira perfeição de técnica e estética musical. Depois de termos percorrido duas fases musicais passa-se ao modernos; aí então teremos a música contemporânea, vasculhando-lhes, na sua maneira nova de compor, motivos que por certo terão beleza e fundamento.
Por isso o Centro convida, a todos aqueles que desejam conhecer esse maravilhoso mundo do som, para que compareçam todos os sábados às 15,30 horas, onde poderão viver momentos de profunda meditação.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Biblioteca Osmar Rodrigues Cruz

Ao longo de 50 anos, Osmar Rodrigues Cruz reuniu um acervo raro que conta com mais de 15 mil exemplares.

Como pesquisador curioso e interessado nos temas mais relevantes, ia ao encontro de livrarias, sebos e livreiros já seus conhecidos, em busca de novidades sobre teatro e todas as artes que o tangenciam. Novidades às vezes peculiares como obras datadas dos séculos XVII, XVIII e até manuscritos.

Certa vez arrematou um lote vindo de Portugal, um sebo inteiro, onde encontramos até arquivo pessoal de um importante encenador português que por aqui deixou sua marca. Parte do acervo de Procópio Ferreira encontra-se aqui, assim como livros do século XIX com assinatura do autor.

Livros estrangeiros de edição numerada de primeiro lote, coleções sobre história do teatro em todos os idiomas latinos e também em inglês.
Seu acervo de peças, inclusive datilografadas, é ímpar com edições originais e traduções em diversos idiomas.

Coleção completa da revista da SBAT até o ano 2000, bem como coleções de revistas italianas Il Dramma e Sipario desde seus primeiros números.


Enquanto se aguardam subsídios para local apropriado para consultas, indexação e conservação do acervo, como também futura publicação das obras raras na internet, a biblioteca não se encontra em abandono. Durante o ano de 2011 foi efetuada limpeza e catalogação para contagem de parte do acervo, a fim de aguardar seu tombamento definitivo.

Apurou-se:

DRAMATURGIA - incluindo em cada volume de 1 a 4 textos aproximadamente 2.444 volumes entre peças nacionais e estrangeiras, Molière, Shakespeare, Lope de Vega, coleção de peças nacionais do início do século XX.

PEÇAS DATILOGRAFADAS - 676 textos com traduções inéditas.

468 programas de peças diversos de temporadas brasileiras.


COLEÇÕES DE REVISTAS ESTRANGEIRAS - 2.810

REVISTAS E CATÁLOGOS - 1.958


LIVROS de estudo - 7.411

Citando abaixo apenas alguns dos mais raros e antigos:

D’ALLAINVAL, L’Abbé (org.) - Mémoires sur Molière 1822

LE BRUN, Pierre - Discours sur la Comedie 1731

CAMPARDON, Émile - J.B. Poquelin Molière 1871

Conciles e des Saints Peres - Traité de la Comedie et des Spetacles selon la Tradition de l’Eglise 1667

DACIER, Madame - Comedies Grecques d’Aristophane 1792

DESCHAUMES, Edmond - Le Mal du Théatre 1888

Des Feuilletons de GEOFFROY - Cours de Littérature Dramatique 2ªed.  1825

HEDELIN, Abbé d’Aubignac - La Pratique du Theatre 1657

MARTINO, Gaspare di - I Nemici del Teatro di Prosa in Italia 1882

DESFONTAINES, Abée et MERICOURT - Histoire Universelle des Théatres de toutes les Nations 1779

MILIZIA, Francesco - Trattato Completo, Formale e Materiale del Teatro 1794

MOREAU, M. (org.) - Mémoires de Goldoni 1822

RICCOBONI, Louis - Observations sur la Comedie et sur le Genie de Moliere 1736

SAINTE ALBINE, M. - Rémond de Le Comedien 1747


Textos e estudos de ORC sobre as peças por ele encenadas.
ARQUIVO PESSOAL com reportagens jornalísticas.
68 quadros e posters de suas encenações, incluindo cartazes de suas peças.
5 JOGOS DE SLIDES de companhias estrangeiras.
                                                                                 

TOTAL EM VOLUMES     15.767