domingo, 24 de junho de 2012

Nelson Rodrigues em São Paulo




Mais uma vez interrompemos nossa cronologia de postagens para abordar um assunto de extrema relevância.


Foto Silvestre Silva

Nelson e todo elenco da peça


Já não nos causa estranheza o fato da memória de nosso país ser totalmente ignorada. Ignorantes que somos como resultado, também, do esquecimento, do sepultamento, até da incineração de fatos e seus documentos.
Papéis velhos, amarelados, registros em computador que devem ser deletados, enfim nossa memória e aqueles que pertenceram à ela, não estando na mídia estão condenados ao banimento de nossa realidade.
Por tais motivos, não estamos surpresos com o que vem acontecendo esse mês no Sesi São Paulo, mas sim indignados com o descaso. 
Foi iniciada uma homenagem aos Cem anos de Nelson Rodrigues e simplesmente não consideraram que:
1.      Em 1979 o Teatro Popular do SESI (na mesma sala de hoje) sob a direção de Osmar Rodrigues Cruz encenou a peça teatral A Falecida de Nelson Rodrigues com cenário de Flávio Império registrados nos livros:  de Renina Katz e Amélia Hamburger Flávio Império (Edusp - 1999) e Imagens do Teatro Paulista (Imprensa Oficial do Estado – 1985).
2.      A protagonista foi a atriz Nize Silva (viúva de Osmar Rodrigues Cruz). Que não foi sequer cogitada (nem mesmo convidada) para fazer parte  do “evento que reuniu as atrizes que encenaram peças de Nelson Rodrigues” de segunda-feira (14) sob a curadoria de Rui Castro, incluindo outras que jamais encenaram peça do autor homenageado.
3.      Nelson Rodrigues veio especialmente à São Paulo para assistir ao espetáculo onde foi homenageado com um coquetel e teceu todos os elogios ao espetáculo e, principalmente à atuação impecável de Nize Silva. Registrado em livro do autor, crítico e professor emérito da USP Sábato Magaldi Nelson Rodrigues: Dramaturgias e Encenações (Perspectiva -1987). Como também na biografia de Osmar Rodrigues Cruz em co-autoria com a Profa. Dra. Eugenia Rodrigues Cruz Osmar Rodrigues Cruz Uma Vida no Teatro (Hucitec – 2002).
4.      Sendo o curador da mostra uma pessoa supostamente esclarecida, muito nos estranha o esquecimento e a ignorância dos fatos acima, uma vez que eles também constam dos jornais da época e por óbvio deveriam, no mínimo, terem sido convidados a fazerem parte do evento, já que vossa atuação à época deveria fazer parte da memória, inclusive da casa onde ocorre o evento (Teatro do Sesi).
5.      Todas as informações possíveis encontram-se agregadas no Instituto Osmar Rodrigues Cruz, criado formalmente em 2009, bem como no arquivo pessoal de Nize Silva.
(Trecho do email envido ao Sesi pela Dra. Daniella Löw, que não obteve resposta.)




Nize Silva, ao fundo Osmar, e Nelson após o espetáculo

Foto Silvestre Silva

Nize Silva,  Osmar (em segundo plano) e Nelson na plateia após o espetáculo.




“Quando escolhi a A Falecida, Nelson e eu começamos a nos telefonar. Expliquei que as peças encenadas no Sesi têm público enorme vindo das camadas sociais mais baixas da população. Ele ficou entusiasmado, principalmente quando soube que o teatro tinha mais de quatrocentos lugares, acabou autorizando a montagem e quando anunciou no Rio que sua peça seria encenada aqui em São Paulo pelo TPS, soltou mais uma das suas frases: “A falecida não vai morrer nunca!” Reclamou também que a peça ainda não tinha sido levada como ele queria e de todas as montagens feitas a que mais gostou foi a do Antunes Filho, e que mal podia esperar para assistir a nossa. Prometeu vir a São Paulo para a estreia e sentar-se na primeira fila, esperando, desta vez, ver o seu texto bem representado, porque confiava na minha direção. Ele não vinha a São Paulo há muito tempo, mas queria conhecer o meu trabalho, o teatro que não cobrava ingressos e que tinha como público o povo.
(...)
O Sábato Magaldi sugeriu que o Sesi trouxesse o Nelson para São Paulo e ele veio a convite com sua esposa, a irmã, uma enfermeira que ficaram hospedados no Caesar Park. Fazia muito frio aqui em São Paulo, estávamos em pleno inverno, o que é uma verdadeira tortura para quem vem do Rio, e o Nelson não estava muito bem de saúde, estava tomando um monte de remédios!
Á noite fizemos uma apresentação só para ele, que se sentou na terceira fila. Antes de começar eu disse a ele: “Agora Nelson, é com você”. Só fiquei sabendo sua opinião ao final da peça, porque fundi os dois atos da peça em um, portanto não havia intervalo. Ao final ele se levantou e disse: “Parabéns, senhor Cecil B. de Mille”, e continuou fazendo elogios à encenação, aos atores e até gostou da inclusão do cenário. Na noite seguinte estreamos oficialmente, ele voltou a asssistir e participou do coquetel oferecido aos convidados.
(...)
As tiradas do Nelson são inesquecíveis. Na estreia ele fez questão de subir ao palco para cumprimentar os atores, porém, quando de volta à plateia, o contra-regra já havia tirado a escada e ele teve de descer a altura aproximada de uns cinquenta centímetros, apoiado em algumas pessoas olhou para baixo, deu o passo e disse: “Que abiiiiiismo...!”
(in Osmar Rodrigues Cruz – Uma Vida no Teatro – Hucitec 2001, pags 253 a 255)




Foto Silvestre Silva

Trechos de crítica – Jornal da Tarde – por Sábato Magaldi – 26/07/1979
O teatro de Nelson Rodrigues, no melhor estilo. Admirável.
(...) A Falecida é, sem dúvida, a melhor encenação de Osmar Cruz.
(...) O Teatro Popular do Sesi mostrou, em primeiro lugar, um painel histórico da dramaturgia brasileira, e se volta agora para a produção contemporânea. Não houve propósito, deliberadamente didático, mas um profundo amor pelo teatro nacional, de quer, aliás, Osmar Cruz é um dos poucos e reais conhecedores. (...)
(...) Nize Silva tem o seu melhor trabalho em Zulmira. Ela funde as ideias de frustação, de misticismo, de terror em face do desconhecido e de inexorável fatalidade. A “falecida” é uma das personagens que definem com maior clareza o universo feminino de Nelson Rodrigues e Nize Silva a encarna sem deixar de lado um componente. A boa e poderosa voz vai se dosando aos poucos com os acessos de tosse, até o desenlace. Nize compreendeu plenamente a responsabilidade que lhe foi atribuída.
(...)
                                                        Foto Silvestre Silva
Nize relembra em seu Facebook que ao chegar em casa com Osmar, todos os dias pontualmente Nelson Rodrigues telefonava do Rio para falar com Osmar e com ela. E sempre ao final da conversa de como correra o ensaio, ele falava: “Nize, minha Musa, não esqueça do patético!”

domingo, 17 de junho de 2012

"As Mulheres não querem Almas" - 1950















REFERÊNCIAS SOBRE A PEÇA “AS MULHERES NÃO QUEREM ALMAS” - 1950
Temporada no Teatro Municipal
Foi para nós um prazer quando as possibilidades financeiras do nosso “Teatro Universitário” nos permitiram encenar uma peça de Paulo Gonçalves, o autor que, para nós, é  um dos maiores dramaturgos do Brasil. Em todo o seu teatro a poesia é o que predomina, e, sem nunca ter feito teatro burguês, ou melhor de ambiente burguês, Paulo Gonçalves moldou sua obra dramática  com um cunho de poesia romântica. Se para sua época ele foi um vanguardista, sua obra hoje não envelheceu, pois os seus personagens, não são pessoas ou tipos de uma época, mas sim, símbolos do sentimento humano. E não é esse o verdadeiro teatro? Sem dúvida. Todo autor dramático que explorar o sentimento do homem e não os seus atos burgueses, tais como os seus vícios, costumes e hábitos é um escritor que não morrerá. E assim é Paulo Gonçalves.
Talvez essa peça que dirigimos não seja a melhor do seu repertório, pois “Núpcias de D. João Tenório” e “Comédia do Coração” têm mais valor literário e mesmo dramático. Entretanto, “As mulheres não querem almas” é a mais romântica, adaptando-se mais ao estilo dos moços e, devido ao seu enredo pode ser mais compreendida pelas nossas platéias. Isso não quer dizer que essa peça seja inferior às outras. Todo o teatro de Paulo Gonçalves é belo e de grande valor; cada uma de suas peças abrange uma faceta diferente da vida emocional, e “As mulheres  não querem almas” é uma delas.
Não iremos justificar a encenação, porque a fizemos baseados exclusivamente no texto, sem lhe cortar uma fala ou rubrica. Era nossa intenção dar a peça um ambiente de fantasia, tanto nos cenários como no estilo de representação, porém teríamos com isso um trabalho muito mais longo, pois todos os atores teriam que estudar uma mímica exclusiva para a peça, com uma movimentação quase de “ballet”. Achamos melhor, ainda uma vez, ouvir Paulo Gonçalves, “mesclando” a representação, onde “a fantasia se mistura à realidade, não se sabendo onde principia uma e onde termina a outra”. Por isso é que em certos momentos a representação é realista e, em outros trechos, predominam a fantasia e a estilização.
Não será essa a verdadeira fórmula da obra dramática de Paulo Gonçalves? Fantasia e realidade?
Os cenários e as músicas serão os dois elementos que irão caracterizar a época, isto é, um carnaval carioca de muitos anos atrás, onde o amor, a ambição, a velhacaria, enfim, a volúpia de todos os personagens estão colocados num baile de terça-feira carnavalesca.
Diz o prólogo que a peça foi “um sonho que o autor sonhou num carnaval carioca”, e de fato no texto ele soube fixar esse sonho, não no que ele tem de material e vulgar, mas no que ele possui de humano, de sentimento e de poesia. A idéia principal de Paulo Gonçalves é evidenciar a inconstância feminina, resolve a intriga da melhor maneira: escolhe a última noite de carnaval e coloca três tipos femininos, de temperamento diferente, amados por um boneco sentimental que as deseja uma após outra; ao mesmo tempo que cada uma delas deseja outros homens. Mas, ao demonstrar essa inconstância, ele se perde completamente no personagem mascarado que é uma interrogação constante. E todo aquele amor que Paulo Gonçalves sentia pelas mulheres que amou saiu nas frases desse personagem.
Achamos que além da ideia central estabelecida pelo autor há o amor incompreendido, o amor sincero e outro, que não consegue seu intento e vê frustadas todas as tentativas para obter o amor velhaco e interesseiro, e é justamente nesses trechos que a realidade poética toma conta do texto.
Já nas cenas em que o velhaco e interesseiro predomina, aparece em grande evidência o grotesco. Disso resulta o ambiente de fantasia e realidade impregnadas na peça: Sonho e vida real. Para isso usamos luzes e cores, músicas e um ambiente amplo, onde cada cor tem sua função e cada música é uma recordação de carnavais que já se foram.
Muita coisa poderíamos ainda explicar, mas o melhor é ver o espetáculo. Ele dirá o que pretendemos, pelo menos é a nossa intenção .
Assim, desde o prólogo até o último foco de luz. Há um objetivo na peça: Interpretar Paulo Gonçalves e com isso prestar-lhe uma simples, mas sincera homenagem. (ORC)

domingo, 10 de junho de 2012

Nossa Cidade

























CRÍTICA O ESTADO DE SÃO PAULO – COLUNA PALCOS E CIRCOS – POR DÉCIO DE ALMEIDA PRADO - 19/10/1951
“Nossa Cidade”
A peça de Thorton Wilder apresentada no Teatro de Cultura Artística pelo “Grupo Teatral Politécnico”, com o seu arzinho modesto de quem não quer nada, é das apostas mais ousadas e mais bem sucedidas do teatro moderno. Não é brincadeira  escrever sobre os assuntos mais graves e por isso mesmo menos originais, que interessam ao homem – o amor, a vida, a morte – sem cair no pedantismo nem na trivialidade. Pois eis o que  consegue esta peça em que são estudadas com sensibilidade e graça coisas tão fugidias como as relações cotidianas entre pai e filho, marido e mulher.
“Nossa cidade” retrata apenas o infinitamente pequeno, mas acha sempre jeito de dar a entender que, afinal de contas, é este infinitamente pequeno que mais importa à humanidade. Visto em escala cósmica – Siriús é o planeta indicado – talvez o pequeno universo das nossas preocupações diárias pareça incrivelmente fútil. Mas haverá alguém tão insensato a ponto de se imaginar habitante de Siriús e não de “Grover’s Corners”, pacata cidadezinha norte-americana, tanto mais expressiva quanto mais vulgar?
Também como técnica, “Nossa cidade” é uma pequena obra-prima de engenho. Cada pormenor, em si insignificante, recebe um curioso e estranho sentido quando integrado no quadro geral da peça. Assim – para citar somente dois casos – as informações sábias do professor universitário, tão alheias, tão longínquas, podem muito bem significar a frialdade, a inumanidade de todo um tipo de conhecimento científico, como o simples vício de ler constantemente jornal em casa se transforma discretamente num traço a mais dessa profunda indiferença humana, com que atravessamos a vida.
Bertrand Russel diz que se deve desconfiar de todo filósofo incapaz de ilustrar as suas ideias com exemplos simples e comuns. Thornton Wilder não é propriamente filósofo. Mas pelo menos tem o segredo de dizer muito com pouca coisa, de uma forma irônica e poética.
“Nossa cidade” presta-se muito a espetáculo de amadores e de gente moça, como essa que integra o “Grupo Teatral Politécnico”. Diante de tantas convenções assumidas voluntariamente pelo autor, não nos custa nada admitir mais algumas, fingindo ver, naqueles quase adolescentes, senhores respeitáveis ou extremosas mães de família: tudo na peça é faz-de-conta engenhoso. Não precisamos acreditar piamente nesses pequeninos e humildes incidentes que se desfazem, juntamente com os cenários, como nos passes de mágica, ao menor sinal do diretor de cena; o que importa acima de tudo é tirar a lição de humanidade ou de poesia contida no texto. No fundo só há de fato um personagem – o diretor de cena – e tudo mais não passa de exemplificação convincente e saborosa, trazida à tona pela própria índole despreocupada da conversa.
A direção de Osmar Rodrigues Cruz e de J. E. Coelho Neto teve a grande habilidade de deixar a peça falar por si, sem nada dessa pretensão que costumamos encontrar no trabalho de alguns principiantes desejosos de se equiparar imediatamente a mestres da teatralidade como Ziembinski. As soluções encontradas para cada problema foram sempre as mais simples e apesar disso a comunicação com a platéia não se deixou de fazer ampla e cordialmente.
Também o desempenho dos artistas caracterizou-se pela ausência de qualquer afetação, e a sinceridade, na medida do possível, fez às vezes de técnica. Apenas faltou o que  tem faltado muito freqüentemente ao nosso teatro amador. Desde os tempos anteriores ao TBC: menos timidez por parte dos atores, maior projeção das próprias personalidades. A discrição não é a única, nem a maior qualidade de um interprete. Neste ponto, o teatro carioca sempre nos deu exemplo de outra vitalidade, de outra confiança em si, de outra capacidade de exteriorização. É verdade que “Hamlet” e “Desejo” foram espetáculos dirigidos por profissionais. Mas os atores, em sua maioria, eram tão principiantes quanto os nossos. E, no entanto, que vigor na representação, que vozes poderosas, vozes que se impunham à nossa atenção do primeiro ao último minuto, obrigando-nos a permanecer presos ao palco. Os estreantes paulistas, ao contrário, balbuciam timidamente, representando em miniatura para uma sala imaginária de trinta ou quarenta pessoas no máximo. A esse defeito não escapam, muitas vezes, nem os próprios alunos da “Escola de Arte Dramática”, esquecidos de que a primeira qualidade, já não diremos artística mas profissional, do ator é falar naturalmente alto, como fazem todos os atores em todas as partes do mundo.
J. E. Coelho Neto foi o melhor intérprete da noite, com enorme vantagem sobre todos os seus companheiros. Pôs o público logo à vontade, temperando a natural bonomia do diretor de cena com uma pontinha de ironia discreta e subentendida. É o seu trabalho mais interessante até a data de hoje. A seguir vieram Maria Aparecida Moreira – sem contudo repetir integralmente a esplendida versão em inglês que fez, há tempos, do mesmo papel – Moisés Leiner e Fortuna Leiner, espirituosamente caricatural. Maria da Glória Falcão permanece ainda um pouco dura, um pouco convencional nas inflexões, em contraste com a flexibilidade, quase mole e largada de Luís Mazzarolo Neto. Nas primeiras cenas tais características não chegaram a perturbar a peça, mas o mesmo já não aconteceu com os momentos mais líricos do terceiro ato. Este ato foi, aliás, bem menos feliz que os outros em matéria de direção, não conseguindo evitar de todo certo sentimentalismo, certo tom patético, que não estava nas intenções de Thorton Wilder.

domingo, 3 de junho de 2012

Os Espectros - 1947














ARTIGO - CORREIO DA MANHÃ POR PASCHOAL CARLOS MAGNO -  25/10/1947
Às quatro da tarde de sábado último no salão da Escola de Comércio Álvares Penteado, em São Paulo, assisti ao ensaio geral de “Os Espectros” de Ibsen, pelo Teatro Universitário do Centro ‘”Horácio Berlinck”. Se não encontrei intérpretes perfeitos, como deixar de admirar-lhes a sinceridade e o entusiasmo, esses rapazes e moças responsáveis pelos cenários, adereços, do espetáculo que teve lugar, segunda-feira última, no Municipal, encontram-se completamente desamparados. As autoridades estaduais e municipais não lhes conhece o endereço, para um auxílio qualquer em cruzeiros ou facilidade na doação de um terreno para construir ao menos um barracão onde pudessem encenar e representar peças. Admirei-me da cultura de cada um, particularmente no que diz respeito a efeitos luminosos, o que envergonhariam muitos dos nossos atores metidos a diretores. Até sala para ensaios, é arranjada a custa de muito esforço, como esmola ou favor. No avião que, na tarde de domingo, me trazia de volta ao Rio, lembrava-me  do encontro que tivera, no Municipal, sábado à noite com Antonieta Rudge, durante o segundo recital do “Conjunto Coreográfico Brasileiro” e mais tarde em recepção que, em homenagem aos nossos grandes-pequenos dançarinos, ofereceram em sua residência, o Sr. e Sra. Romeu Camargo. Lembrava-me das palavras de admiração que lhe dissera e ao mesmo tempo  acusando-a de roubar ao Brasil e ao mundo o direito de ouvi-la mais freqüentemente, na perfeição da sua arte. Antonieta Rudge bem podia, a fim de ajudar os moços do “Teatro Universitário do Centro Horácio Berlinck”, beneficiá-los com a renda de um recital seu. O Teatro Municipal de São Paulo, como em qualquer parte onde se anuncia o gênio de Antonieta Rudge, encher-se-ia. E os moços de São Paulo, que representaram segunda-feira última “Os Espectros”, de Ibsen, poderiam realizar o sonho que têm em mente: o de um teatrinho armado em um caminhão para representações ao ar livre. Tenho certeza que se Antonieta Rudge ler este pedaço de coluna, consentirá no empréstimo da sua glória para esse belo fim.

domingo, 27 de maio de 2012

Participações do grupo





TRECHO COLUNA “DIÁRIO DE UM CRONISTA” - DIÁRIO DA NOITE POR PASCHOAL CARLOS MAGNO -  25/05/1948
Terça-feira 12 de maio de 1948 – Dona Angiolina Grimaldi, concessionária do Municipal, perfilou minha rapaziada .Vem e vai numa inquietação intensa. Quer por nossa passagem por aqui seja um sucesso. Telefona a amigos “Não faltem”. Desdobra-se em gentilezas. Os cenários já estão armados. Ensaia-se. Os moços do “Teatro Universitário do Centro Horácio Berlinck, muitos dos quais trabalham até às seis, aceitam o convite que lhes fizemos de serem comparsas na côrte de Elsinore. Muitos deixaram de trabalhar para o ensaio desta tarde. Como são gentis, inteligentes e como amam o teatro.




domingo, 20 de maio de 2012

Mais Adeus Mocidade

Nessa nova fase de nosso blog, quando estamos expondo cartazes e programas em ordem cronológica, sempre os pontuaremos com críticas. Sobre Teatro Amador, que foi o início da carreira de Osmar Rodrigues Cruz como diretor, possuímos raridades de críticas e artigos sobre o assunto. Para aqueles que gostam da pesquisa, esses documentos constam do arquivo pessoal de Osmar, assim como de nosso livro Osmar Rodrigues Cruz – Uma Vida no Teatro (Hucitec – 2001). Esperamos que gostem.










1946














1948








TRECHOS CRÍTICA - JORNAL CLAN POR LUPÉRCIO RODRIGUES HARO - 06/1946
“Adeus mocidade”
A 13 de março de 1946 foi levada a cena em “reprise”, no Conservatório Dramático Musical de São Paulo, pelo Teatro do Centro Acadêmico “Horácio Berlinck”, a comédia “Adeus Mocidade”, em três atos, de Sandro Camasio e Nino Oxília – tradução de Oduvaldo Viana.
Essa peça, que possui um belíssimo enredo ocupa na hierarquia teatral um dos primeiros planos. O conjunto teatral do Centro possui elementos de boa vontade, o que contribui bastante para o êxito desta apresentação. Quem assistiu à primeira, pode, nesta segunda, fazer um pequeno paralelo. Da primeira vez, apesar de ser novidade tanto a peça como o “teatro”, ela obteve um grande sucesso sendo muito bem representada devido o grande entusiasmo dos nossos atores novos. Já da segunda vez, a calma e a precisão da marcação deram à peça maior técnica, mas não se verificou o mesmo entusiasmo por parte do elenco, fator este que tirou um pouco da comicidade que houve na primeira representação.
O Trabalho apresentado pelo novo quadro artístico foi bom, e muitas vezes chegou a ser  ótimo, mas nem por isso deixou de ter os seus pontos fracos. Numa análise geral, podemos dizer que a peça correu perfeitamente bem nos seus três atos, tendo surgidos apenas falhas pequenas, que só um olho crítico poderia notar.
(...) sendo essa a segunda vez que esses jovens enfrentam uma platéia, sentimo-nos na obrigação de elogiar a nossa valorosa “troupe” que apenas há meses iniciou-se na carreira teatral e já promete muito para o futuro(...)

sábado, 12 de maio de 2012

Adeus Mocidade





Programa e cartaz de estreia da primeira peça dirigida por Osmar Rodrigues Cruz no Centro Acadêmico Horácio Berlink. Adeus Mocidade de Sandro Camasio e Nino Oxília, traduzida por Oduvaldo Vianna em 1945.