domingo, 20 de outubro de 2013

Sala Osmar Rodrigues Cruz



Discurso de Mário Amato
Inauguração “Sala Osmar Rodrigues Cruz” – TPS 30 anos
6/4/1992

O motivo que nos une aqui hoje é a vontade de prestar uma justa homenagem. O homenageado desta noite é o homem que durante quarenta anos dirigiu os grupos teatrais desta casa, que ao longo desse tempo soube lhe reconhecer o talento e a capacidade de trabalho.
Neste e em muitos outros palcos, a cada vez que se leventaram as cortinas, saíram engrandecidos o teatro brasileiro, o Sesi e, através dele o empresário de São Paulo.
Sucesso foi sempre um personagem presente na vida de Osmar Rodrigues Cruz, dificilmente o Brasil teria tido um melhor economista do que homem de teatro, caso Osmar, aluno da Faculdade de Ciências Econômicas de São Paulo na primeira metade dos anos 40, não houvesse encontrado sua verdadeira vocação, ao reunir os colegas para uma primeira experiência teatral. Muitos foram os momentos de consagração, desde então, na sua trajetória. Seu gênio foi reconhecido pelo extraordinário Nelson Rodrigues, que elogiou a montagem de Osmar Rodrigues Cruz da peça A Falecida, garantindo-lhe que havia sido um dos melhores trabalhos já produzidos a partir de sua obra. Em 1969, Osmar conquistou todos os principais prêmios de teatro, entre eles o “Molière”, que voltaria a ganhar em mais duas outras oportunidades.
Não haverá exagero em se afirmar que o empresariado deve a Osmar Rodrigues Cruz o reconhecimento a boa parte da sua ação no campo da cultura. O Sesi, uma entidade mantida e administrada pela indústria, converteu-se nas últimas décadas, pelo trabalho de Osmar, numa importante base de sustentação e revigoramento da atividade teatral em nosso estado. [Grifo nosso.]
São provas disso, não apenas o elenco estável e um itinerante que o Sesi mantém, mas também o apoio que a entidade oferece ao surgimento de grupos teatrais amadores em suas unidades instaladas pelo estado afora, sem esquecer desta sala modelar de espetáculos em que nos encontramos nesta noite, onde, através de ingressos distribuídos gratuitamente à população, muitos trabalhadores têm seu primeiro contato com os textos teatrais.
É importante frisar que se trata de apoio a uma atividade que aguça os sentidos da cidadania, já que o teatro ajuda as pessoas a melhor entender o mundo à sua volta. [Grifo nosso.] Por isso mesmo podemos dizer que esse apoio confirma, uma vez mais, a disposição dos empresários de contribuir para o amadurecimento de uma sociedade viva e participativa.
Todo esse trabalho se deve a Osmar Rodrigues Cruz, que durante essas quatro décadas dedicou toda a sua capacidade à construção de uma obra que hoje merece o reconhecimento, não apenas dos empresários que a tornaram possível, mas de toda a classe teatral, que tem em Osmar Rodrigues Cruz um exemplo de dedicação, talento e amor ao teatro.

(in Osmar Rodrigues Cruz Uma Vida no Teatro Hucitec 2001)


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terça-feira, 15 de outubro de 2013

CONFUSÃO NA CIDADE

Cena de todo o elenco. Foto: Hélio 




Trechos de crítica – Jornal da Tarde
por Alberto Guzik – 21/2/1990

Um Goldoni inédito e hilariante. Em Brigas na Cidade, uma correta, embora um pouco fria, montagem do TPS.
Com o nome de Confusão na Cidade esse importante trabalho de Goldoni, até hoje inédito em São Paulo, está no TPS, em tradução muito boa de José Rubens. A montagem, dirigida pelo Osmar Rodrigues Cruz, entrou em cartaz no início de janeiro, quase às escondidas. Pois só pela importância de se oferecer ao público um Goldoni de primeira água, o espetáculo deveria ter sido mais divulgado. E ainda que a encenação não seja particularmente inspirada, exibe a correção e seriedade características do TPS, que em 93 vai comemorar três décadas de atividade. Os cenários e figurinos, também assinados por José Rubens Siqueira, são eficientes. O dispositivo cênico ajuda a montagem a correr com a fluidez necessária.
A produção foi levantada com o capricho costumeiro do TPS. O espetáculo de Osmar Rodrigues poderia ter mais brilho. Mesmo assim, faz gargalhar a plateia que lota a confortável sala da Avenida Paulista. Um elenco adequado é responsável também por tal facilidade de comunicação.
[...]. Mas a ressalva não pode impedir o reconhecimento de que se trata de um espetáculo correto, que atinge os objetivos a que se propõe. E a que o público do TPS assiste com prazer.

(in Osmar Rodrigues Cruz Uma Vida no Teatro Hucitec 2001)


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domingo, 6 de outubro de 2013

ONDE CANTA O SABIÁ

Todo o elenco ao final do espetáculo



Trechos de crítica – A Tribuna de Santos 
por Carmelinda Guimarães – 2/10/1988

[...]. O TPS foi buscar uma comédia de Gastão Tojeiro, de 1921, para comemorar seus vinte e cinco anos de atividades, e criou um espetáculo adorável com Onde Canta o Sabiá.
[...]. Osmar Rodrigues Cruz que tem recuperado para a cena os clássicos do teatro brasileiro, mas como homem comprometido com o grande público do TPS, ele tem feito esta recuperação utilizando peças que fizeram grandes sucessos populares. Foi o caso de Feitiço de Oduvaldo Vianna, e agora de Sabiá, de Gastão Tojeiro, que na época de sua primeira encenação atingiu duzentas representações.
A montagem atual está destinada a atingir o mesmo sucesso. Direção precisa de Osmar Rodrigues Cruz, cenografia adequada de Zecarlos de Andrade.
[...]. “Um sabiá que canta, mostrando que as aves que lá gorjeiam, não gorjeiam como aqui...” A peça salvou uma temporada, exaltou um autor e consagrou definitivamente no conceito do público valores novos da cena nacional, como Procópio Ferreira, Artur de Oliveira, Manuel Durães, Abigail Maia, Apolônia Pinto. Atores como Nestório Lips, por exemplo, nunca mais puderam gozar de oportunidade semelhante para merecer tão fartos aplausos do público. Viriato e Oduvaldo, à vista do grande sucesso da peça, resolveram elevar para cinquenta mil-réis por sessão. Gastão não aceitou. Era muito, afinal, depois de alguma relutância, concordou em receber trinta mil-réis por sessão. Dois meses depois da retirada do cartaz, a peça voltava à cena, para fazer o público retornar ao velho “Trianon”.

(in Osmar Rodrigues Cruz Uma Vida no Teatro Hucitec 2001)



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domingo, 29 de setembro de 2013

FEITIÇO



Trechos de crítica – Shopping News
por Carmelinda Guimarães – 4/10/1987

Feitiço AO ALCANCE DE TODO MUNDO

Você gosta de teatro? Então venha assistir a uma peça excelente, que vai diverti-lo muito, num teatro confortável, com atores de primeira linha e com ingresso gratuito! É o trabalho do diretor Osmar Rodrigues Cruz, há quase trinta anos engajado com o TPS.
Convencido de que o preço do ingresso afastava os espectadores do teatro, criou uma companhia estável comprometida com formas populares de espetáculo, patrocinado pelo Sesi.
Seu último trabalho está excepcional. É das melhores comédias em cartaz no momento.
[...]. A montagem, é atual e sofisticada, utiliza todos os recursos do teatro de hoje, perfeita na reconstituição da época, nos cenários e figurinos, cuidados nos detalhes.
Osmar é um excelente diretor de comédias brasileiras, um mestre neste campo. Já provou sua habilidade anteriormente, dirigindo um memorável Caiu o Ministério, de França Júnior, e comprova com Feitiço.
[...]. Uma peça para ser recomendada sem restrições, para quem procura no teatro o divertimento ou a discussão. Os primeiros vão distrair-se com a comédia, os outros encontrarão no texto, de uma carpintaria extraordinária, uma verdadeira lição de como escrever um bom teatro.
Um trabalho de um autor engajado com a problemática política, social e cultural de seu País. Um homem perseguido e exilado pelo Estado Novo, que deixou marcada sua contribuição cultural dentro da história do teatro brasileiro.
É um prazer ver o teatro de Oduvaldo Vianna ressucitado com tanto brilho e dignidade.

(in Osmar Rodrigues Cruz Uma Vida no Teatro Hucitec 2001)
 
Lúcio Freitas, Eugenia R. Cruz, Roberto Azevedo, Nize Silva, Lia de Aguiar, Zecarlos de Andrade, Rosamaria Pestana, Paulo Hesse, Anamaria Barreto. Foto: Vadinho 

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domingo, 22 de setembro de 2013

25 ANOS DE TPS




“As “Bodas de Prata” do TPS foram festejadas com um coquetel apenas para convidados. Publicamos uma revista na qual fiz um histórico desses anos em que estive à frente da única companhia estável do País. Ilustramos com fotos de todas as peças montadas desde sua profissionalização. Alguns representantes da imprensa e da classe teatral deram sua visão do TPS em pequenos depoimentos, e Sérgio Viotti escreveu um artigo.” (ORC)

Trechos de artigo – revista comemorativa 25 Anos TPS
por Sérgio Viotti

O TPS é caso ímpar no panorama brasileiro. Caso raro, mesmo, na listagem dos grupos estáveis não subvencionados pelo Estado, no resto do mundo. Seus vinte e cinco anos de atividade ininterrupta, em São Paulo, o tornam, sem dúvida, o único (isto sem contar outros dezenove anos com atividades paralelas de espetáculos itinerantes e de teatro infantil).
O TPS tornou-se, assim o único onde foi e continua sendo possível assistir às peças que, seguramente, jamais seriam apresentadas, por outras companhias.
[...]. Vendo o TPS em atividade desde 1977, na sua magnífica casa de espetáculos própria, tendemos a esquecer que, antes desta, apresentou-se em outras salas pela Capital, sem jamais perder o impulso que o comandava, a tenacidade que o mantinha coeso, e o espírito que o conservava vivo. Havia um homem vigilante e atento, seguindo-o. Ele insiste que a sua importância em relação ao grupo não é tanto quanto se lhe pretende dar, mas é indiscutível que toda realização deste tipo é, quase sempre, produto de um ideal que move um empenho, e por detrás de um e outro sempre existe alguém.
Assim, não é possível dissociar o TPS de Osmar Rodrigues Cruz. Não fossem a sua tenacidade e determinação, sem deixar de lado aquela parcela básica de amor insistente, o TPS não seria o que é, como é, e tampouco teria alcançado a posição que ocupa no teatro brasileiro. Claro que lhe foram dadas as ferramentas para alcançar os alicerces; as armas para entrar na luta. Ele as recebeu, fez uso delas e foi avante, enfrentando os mesmos, às vezes imensos, problemas que os diretores de companhias subvencionadas no mundo inteiro teriam de enfrentar. Não basta um subsídio sem quem o transforme em criatividade, em coerência com os seus objetivos básicos e essenciais. O que ele se propunha fazer, fez: criar um teatro de qualidade que pudesse ser visto e apreciado pelo grande público, não aquele grande público pagante que determina a frequência flutuante do teatro comercial, mas o seu público maior, para o qual o TPS se tornaria um hábito pessoal, que o teatro é dele. Pode ser que pela sua natureza não comercial muitos espectadores de certos segmentos da população não tenham assistido às montagens do TPS. Sempre que isso acontece, ou vier a acontecer, o grande perdedor foi quem deixou de participar dessa magnífica aventura pelos caminhos do teatro adentro.
Não podemos recuar diante do espantoso fato consumado: a longevidade criativa do TPS, e só podemos desejar ardentemente que a entidade que tornou possível esta longa sobrevivência a mantenha no futuro remoto, sempre em plena atividade.
Que o TPS não se limite a ser memória dos homens de empresa dispostos a apoiar o sonho e a aplicação de um homem de teatro, mas que continue sendo apoio vivo e atuante ao Teatro e ao público que gosta dele. Afinal, há sete milhões de espectadores como comprovação da bem-querença.
Ao longo destes anos, sinto que o TPS adquiriu as dimensões, ao mesmo tempo amplas e concentradas, de um ser humano, e muitos dos que dele se aproximaram podem afirmar, sem receio de erro ou excesso: foi um privilégio conhecê-lo, trabalhar com ele e ser seu amigo.

(in Osmar Rodrigues Cruz Uma Vida no Teatro Hucitec 2001)


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terça-feira, 17 de setembro de 2013

MUITO BARULHO POR NADA


Rosamaria Pestana, Luiz Carlos de Moraes, José Rubens Siqueira, Zecarlos de Andrade, Margarida Moreira, Elias Gleizer, Miro Martinez, Nize Silva. Foto: Vadinho


Trechos de crítica – Jornal da Tarde
por Alberto Guzik – 11/7/1986

UMA BRILHANTE COMÉDIA DE SHAKESPEARE. PARA SE VER COM GENUÍNO PRAZER.

[...]. A encenação de Osmar Rodrigues Cruz parte do pressuposto de que a obra shakespeariana tem como alvo a diversão popular. O trabalho todo foi orientado para a busca de uma certa rudeza, de uma vitalidade que não dispensa um toque de desbragamento. O recurso funciona quase sempre, embora soe forçado em certas passagens.
[...]. O público encanta-se com as pequenas surpresas teatrais que povoam a marcação e deixa-se levar pela alegre celebração da arte cênica proveniente do palco. Não se trata de uma leitura revolucionária ou inovadora de Shakespeare, mas a montagem dá ao texto uma interpretação plausível, realizada com solidez e competência.
Com Muito Barulho por Nada, o TPS continua a cumprir a função pela qual foi criado há vinte e três anos. É uma equipe sólida, e o trabalho que realiza, sério e consequente. O método dá resultado. Pela intensidade com que o público se entregava à representação de Muito Barulho por Nada no último domingo, pode-se vaticinar uma longa carreira para a comédia de William Shakespeare. 

(in Osmar Rodrigues Cruz Uma Vida no Teatro Hucitec 2001)



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domingo, 8 de setembro de 2013

O REI DO RISO


Nelson Luiz, Sérgio Rossetti, Nize Silva, Ednei Giovenazzi, Jairo Arco e Flexa, Paulo Prado, Luiz Carlos de Moraes, Miro Martinez e Lúcio de Freitas. Fotógrafo: Vadinho









Trechos de crítica – Jornal da Tarde
por Sábato Magaldi – 24/5/1985

O Rei do Riso, O AMOR AO TEATRO BRASILEIRO

Felicíssima ideia teve Osmar Rodrigues Cruz ao encomendar a Luiz Alberto de Abreu, autor de Bella Ciao, uma peça sobre Francisco Correia Vasques, nosso maior intérprete cômico do século passado. O Rei do Riso, em cartaz no TPS, recupera para a plateia não só uma figura de cativante personalidade, amada pelo povo, mas um momento fundamental do palco brasileiro.
A iniciativa partiria mesmo de Osmar, um dos poucos encenadores, que dominam profundamente o nosso teatro. Não conheço outro tão amorosamente preso aos valores do passado, tendo trazido à cena Macedo, Alencar, Oduvaldo Vianna, Manuel Antônio de Almeida (na adaptação de Francisco Pereira da Silva, recentemente falecido) e França Júnior, além dos contemporâneos, Plínio Marcos, Nelson Rodrigues, Lauro César Muniz e Maria Adelaide Amaral. O espetáculo revela a necessária intimidade com os bastidores da evolução dramática.
Tanto Osmar como Luiz Alberto se debruçaram carinhosamente sobre a bibliografia disponível, extraindo dela os ensinamentos mais aproveitáveis na montagem. Não se trata de uma reconstituição biográfica de Vasques, o que, em certa medida, teria resultado pitoresco. Por meio da personagem centralizadora do ator, levanta-se um painel do teatro carioca, portanto da capital do Império e dos primeiros anos da República, na segunda metade do século XIX.
[...]. Encontra-se em O Rei do Riso o mesmo preito que levou Correia Vasques a erguer a estátua em homenagem ao mestre e amigo João caetano. Dramaturgo e encenador identificaram-se com o tema escolhido. Um dos mais bonitos quadros do espetáculo é aquele em que Vasques, já condenado pela doença, entra feito um “ratoneiro” no Teatro São Pedro e se deixa tomar pelas reminiscências de João Caetano, com ele contracenando, cada qual na sua maneira.
[...]. Osmar conseguiu reunir um elenco estável em que há intérpretes para os mais diferentes emplois.
[...]. Senhor de cada pormenor mobilizado, Osmar Rodrigues Cruz dirige O Rei do Riso com inteligência e sensibilidade. A dinâmica, às vezes, poderia ser mais ágil e nervosa. Agrada-me especialmente, no espetáculo, o grande amor que ele demonstra pelo teatro brasileiro.

(in Osmar Rodrigues Cruz Uma Vida no Teatro Hucitec 2001)



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