terça-feira, 17 de setembro de 2013

MUITO BARULHO POR NADA


Rosamaria Pestana, Luiz Carlos de Moraes, José Rubens Siqueira, Zecarlos de Andrade, Margarida Moreira, Elias Gleizer, Miro Martinez, Nize Silva. Foto: Vadinho


Trechos de crítica – Jornal da Tarde
por Alberto Guzik – 11/7/1986

UMA BRILHANTE COMÉDIA DE SHAKESPEARE. PARA SE VER COM GENUÍNO PRAZER.

[...]. A encenação de Osmar Rodrigues Cruz parte do pressuposto de que a obra shakespeariana tem como alvo a diversão popular. O trabalho todo foi orientado para a busca de uma certa rudeza, de uma vitalidade que não dispensa um toque de desbragamento. O recurso funciona quase sempre, embora soe forçado em certas passagens.
[...]. O público encanta-se com as pequenas surpresas teatrais que povoam a marcação e deixa-se levar pela alegre celebração da arte cênica proveniente do palco. Não se trata de uma leitura revolucionária ou inovadora de Shakespeare, mas a montagem dá ao texto uma interpretação plausível, realizada com solidez e competência.
Com Muito Barulho por Nada, o TPS continua a cumprir a função pela qual foi criado há vinte e três anos. É uma equipe sólida, e o trabalho que realiza, sério e consequente. O método dá resultado. Pela intensidade com que o público se entregava à representação de Muito Barulho por Nada no último domingo, pode-se vaticinar uma longa carreira para a comédia de William Shakespeare. 

(in Osmar Rodrigues Cruz Uma Vida no Teatro Hucitec 2001)



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domingo, 8 de setembro de 2013

O REI DO RISO


Nelson Luiz, Sérgio Rossetti, Nize Silva, Ednei Giovenazzi, Jairo Arco e Flexa, Paulo Prado, Luiz Carlos de Moraes, Miro Martinez e Lúcio de Freitas. Fotógrafo: Vadinho









Trechos de crítica – Jornal da Tarde
por Sábato Magaldi – 24/5/1985

O Rei do Riso, O AMOR AO TEATRO BRASILEIRO

Felicíssima ideia teve Osmar Rodrigues Cruz ao encomendar a Luiz Alberto de Abreu, autor de Bella Ciao, uma peça sobre Francisco Correia Vasques, nosso maior intérprete cômico do século passado. O Rei do Riso, em cartaz no TPS, recupera para a plateia não só uma figura de cativante personalidade, amada pelo povo, mas um momento fundamental do palco brasileiro.
A iniciativa partiria mesmo de Osmar, um dos poucos encenadores, que dominam profundamente o nosso teatro. Não conheço outro tão amorosamente preso aos valores do passado, tendo trazido à cena Macedo, Alencar, Oduvaldo Vianna, Manuel Antônio de Almeida (na adaptação de Francisco Pereira da Silva, recentemente falecido) e França Júnior, além dos contemporâneos, Plínio Marcos, Nelson Rodrigues, Lauro César Muniz e Maria Adelaide Amaral. O espetáculo revela a necessária intimidade com os bastidores da evolução dramática.
Tanto Osmar como Luiz Alberto se debruçaram carinhosamente sobre a bibliografia disponível, extraindo dela os ensinamentos mais aproveitáveis na montagem. Não se trata de uma reconstituição biográfica de Vasques, o que, em certa medida, teria resultado pitoresco. Por meio da personagem centralizadora do ator, levanta-se um painel do teatro carioca, portanto da capital do Império e dos primeiros anos da República, na segunda metade do século XIX.
[...]. Encontra-se em O Rei do Riso o mesmo preito que levou Correia Vasques a erguer a estátua em homenagem ao mestre e amigo João caetano. Dramaturgo e encenador identificaram-se com o tema escolhido. Um dos mais bonitos quadros do espetáculo é aquele em que Vasques, já condenado pela doença, entra feito um “ratoneiro” no Teatro São Pedro e se deixa tomar pelas reminiscências de João Caetano, com ele contracenando, cada qual na sua maneira.
[...]. Osmar conseguiu reunir um elenco estável em que há intérpretes para os mais diferentes emplois.
[...]. Senhor de cada pormenor mobilizado, Osmar Rodrigues Cruz dirige O Rei do Riso com inteligência e sensibilidade. A dinâmica, às vezes, poderia ser mais ágil e nervosa. Agrada-me especialmente, no espetáculo, o grande amor que ele demonstra pelo teatro brasileiro.

(in Osmar Rodrigues Cruz Uma Vida no Teatro Hucitec 2001)



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domingo, 11 de agosto de 2013

TPS 20 ANOS


“20 de setembro de 1983 foi o dia escolhido para festejar os 20 anos do TPS. O programa comemorativo contou com uma audição da pianista Clara Sverner, interpretando peças de Chiquinha Gonzaga. Décio de Almeida Prado fez uma conferência que infelizmente não posso transcrever porque a gravação está totalmente inaudível e o original ficou perdido, como perdidos ficaram outros importantes documentos, quando da minha saída do teatro. Fizemos uma exposição de fotos de todas as nossas produções, os artistas e técnicos que estavam na companhia desde sua fundação, foram agraciados com uma das belas gravuras de Flávio Império. Organizamos uma revista comemorativa TPS – 20 anos, que ilustrou com fotos e trechos de críticas toda a trajetória do TPS desde a sua fundação, bem como depoimentos de alguns profissionais de teatro sobre o TPS.” (ORC)




Revista comemorativa – 20 Anos de TPS – Trechos da Introdução por Ilka Marinho Zanotto

Quando se tenta falar de TPS, é inevitável a menção de Osmar Rodrigues Cruz o “pai da criança”. Embora os recursos materiais provenham do Sesi, não existisse Osmar, inexistiria o TPS. Essa afirmação detém o consenso geral, principalmente entre os que amamos e/ou fazemos teatro no País.
Por isso ao ser-me encomendada a introdução à revista de comemoração dos 20 Anos do TPS, tarefa que muito me honrou, procurei de imediato desentranhar de seu diretor o “como”, “porque” e “onde” dessa obra extraordinária. Extraordinária pelos números absolutamente inéditos de espectadores envolvidos e, de uma certa maneira, “ganhos” para o teatro, pois na sua maioria industriários que o desconheciam por completo; extraordinária pela continuidade de ação – vinte anos ininterruptos de realizações, recorde brasileiro e quiçá mundial, em se tratando de teatro popular.
Entrevistando o artífice desse milagre, no subsolo espaçoso e superorganizado do belíssimo teatro inaugurado há cinco anos, enquanto em minha cabeça flashes de alguns espetáculos favoritos enovelam-se às teorias várias sobre o assunto – mormente as de Vilar, Planchon e Brecht – e aos discursos explicativos de muitos atores modernos – tive a certeza do alcance da frase de Flávio Império: “Osmar é um diretor que faz questão de não ter carisma”. Com a simplicidade e modéstia que lhe são peculiares, escondia-se constantemente atrás das realizações do TPS de maneira a que toda e qualquer pergunta esbarrasse no biombo da história das encenações, como se desvinculadas fossem do itinerário de seu diretor. Verdade que essa história fala por si só da obstinação e do ideal de um menino que, na década de 30, organizava espetáculos na garagem de sua casa pondo em cena as relações familiares; isso ainda antes de que o pai, viúvo de pouco, tomasse o garoto pela mão e o conduzisse, infalivelmente nos domingos à noite, ao “São Paulo”, ao “Santana”, ao “Colombo” e ao “Cassino Antártica”, no Anhangabaú, onde Beatriz Costa e Oscarito, entre outros, exibiam um repertório inexpressivo tematicamente, mas com montagens de forte apelo popular. Osmar admite hoje que data daí sua vocação para fazer teatro para o grande público. [...]
[...] “a função essencial de lazer, do divertimento e da festa. E se, às vezes, ele é remédio, usando venenos violentos, deve ser um remédio salvador. Deve antes de tudo alegrar-nos” (Jean Vilar).
Ainda como Vilar, Osmar Rodrigues Cruz ostenta uma fidelidade ululante ao seu público: “muitos me perguntaram sobre o elo que nos une. Pois bem... é essa fidelidade, essa teimosia de trabalhar para as classes trabalhadoras e aí está, há muito tempo, o público que corresponde com a mesma fidelidade” (Vilar). Dessa postura estética ao longo de vinte anos, sem um hiato sequer, brotou a continuidade exemplar da trajetória do TPS que familiarizou um público recorde em termos de Brasil – (cinco milhões de espectadores em São Paulo e no interior) – com autores da relevância de Marivaux, Molière, García Lorca, Gil Vicente, Schiller, Gonçalves Dias, Martins Pena, Nelson Rodrigues, Plínio Marcos, entre muitíssimos outros. Cabe-lhe como uma luva essa definição de Gasset: “Continuar não é permanecer no passado nem sequer enquistar-se no presente, mas sim mobilizar-se, ir além, inovar, porém renunciando ao salto sem partir do nada; antes fincando os calcanhares no passado, deslanchar a partir do presente e pari passu, um pé atrás outro à frente, pôr-se em marcha, caminhar, avançar...”.
Cautelosamente, Osmar Rodrigues Cruz soube introduzir o grande público no convívio de obras significativas, certo de que os clássicos, falando uma linguagem universal, seriam compreendidos, desde que levados de forma linear, isto é, dando passagem às obras para que falassem por si. Sua postura deliberada foi então e sempre a de um artesão que monta o espetáculo para servir primordialmente à comunhão do autor com o público; fundamental para o tipo de trabalho que se propôs realizar no âmbito de um teatro popular, essa modéstia não impediu de criar alguns espetáculos mais logrados em termos absolutos, já montados em São Paulo como O Milagre de Annie Sullivan, O Poeta da Vila e Seus Amores, A Falecida e O Santo Milagroso. mesmo os críticos que lhe cobravam maior ousadia nas encenações, renderam-se ante a excelência dessas montagens.
[...]
Paulatinamente, sem deitar falação, esgueirando-se entre os bastidores como a evitar a luz dos refletores, providenciando desde o funcionamento do cadeado do portão dos fundos até a encomenda do texto aos nossos melhores dramaturgos, conciliando os impossíveis – (por exemplo, Plínio Marcos escrevendo para uma entidade patronal) – superando crises, atraindo colaboradores geniais – (e está aí Flávio Império que não me deixa mentir) -, harmonizando elencos estáveis na convivência com astros e estrelas convidados, e, sobretudo, trabalhando dia a dia, o dia todo e todos os dias, com assustadora dedicação e entranhado amor – (é a palavra que ele mais repete quando fala de Teatro) – Osmar Rodrigues Cruz, à sua revelia, já faz parte da história do teatro brasileiro.

(in Osmar Rodrigues Cruz Uma Vida no Teatro Hucitec 2001)


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sábado, 20 de julho de 2013

CHIQUINHA GONZAGA

Coreografia final com todo o elenco. Foto: Silvestre Silva



Trechos de crítica – O Estado de S. Paulo
por Clovis Garcia – 30/9/1983

Texto bem estruturado e justiça para Chiquinha

Um musical brasileiro, tendo como figura central a compositora popular Chiquinha Gonzaga foi a escolha do TPS para a grande montagem comemorativa do seu vigésimo aniversário como teatro profissional. Vinte anos em que grandes encenações, muitas premiadas, foram oferecidas aos industriários, num trabalho de difusão cultural extraordinário. Nós, que participamos como cenógrafos da primeira montagem, Cidade Assassinada, em 1963, não podíamos deixar de nos associar às comemorações de uma atividade que se prolonga, com continuidade, por duas décadas, fato excepcional no panorama teatral brasileiro.
[...]. Mas, além disso, o diretor Osmar Rodrigues Cruz, cercou-se de todas as garantias, optando, até mesmo, por fazer um grande espetáculo, com trinta e dois atores em cena, música ao vivo e dezenas de mudanças de cenário. Naturalmente, a música teria de ser escolhida dentre a fecunda e numerosa produção de Chiquinha, mas a direção musical foi entregue ao competente e premiado Oswaldo Sperandio e a excecução, ao regional do Evandro, com este no bandolim e mais Luizinho, Pinheiro, Dodô, Gerson, Zequinha e Silvio Modesto. O resultado não poderia ser melhor.

O espetáculo acabou recebendo dez prêmios e várias indicações:

Inacen – Troféu Mec – Melhor Espetáculo do Ano
Inacen – Prêmio Mambembe – Melhor Cenógrafo – Flávio Império
APCA – Grande PrêmioOsmar Rodrigues Cruz pelos vinte anos de TPS
APCA – Atriz – Regina Braga
APCA – Diretor Musical – Oswaldo Sperandio
Apetesp – Melhor Cenógrafo – Flávio Império
Apetesp – Melhor Figurinista – Flávio Império
Apetesp – Melhor Direção Musical -  Oswaldo Sperandio
Molière – Melhor Autora – Maria Adelaide Amaral
Molière – Melhor Atriz – Regina Braga

505 apresentações e 303.577 espectadores.

(in Osmar Rodrigues Cruz Uma Vida no Teatro Hucitec 2001)





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domingo, 14 de julho de 2013

O SANTO MILAGROSO


 
Luiz Parreiras e Nize Silva
Foto: Silvestre Silva




Trecho de crítica – O Estado de S. Paulo
por Ilka Marinho Zanotto – 8/4/1981

Teatro retorna a sua função quase esquecida: divertir

[...]. No TPS, Osmar Rodrigues Cruz, afirma-se como diretor preciso e criativo que explodiu em O Poeta da Vila, confirmou-se em A Falecida e agora dá ao texto de Lauro César Muniz, o tratamento definitivo, ultrapassando de tal maneira as encenações anteriores que é como se somente hoje o verdadeiro Santo Milagroso houvesse vindo à luz. Não há réplica, movimento, intenção (primeira ou segunda), ação ou reação dessa história trepidantemente concebida que não seja explorada até a sua máxima potencialidade. Tudo é forte, fluente e veraz no texto de Lauro César e no espetáculo de Osmar Cruz. Tão vivo e contundente como são perenes os mecanismos de mistificação habilmente explorados por alguns em detrimento de muitos e tão inteligente e bem-humoradamente descritos pelo autor. O fascínio maior do espetáculo decorre da contraposição eficaz de um clima idílico criado a partir da pacatez sonhada de uma vida interiorana perdida nos confins dos tempos e dos lugares, e do movimento acelerado das ambições de todos os naipes que impulsionam a trama.
(in Osmar Rodrigues Cruz Uma Vida no Teatro Hucitec 2001)






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sexta-feira, 5 de julho de 2013

A FALECIDA




Primeira maquete do cenário de Flávio Império








Parte do elenco com Nelson Rodrigues, em destaque Nize Silva e Osmar



Trecho de crítica – Jornal da Tarde
por Sábato Magaldi – 26/7/1979

O teatro de Nelson Rodrigues, no melhor estilo. Admirável.

[...]. A Falecida é, sem dúvida, a melhor encenação de Osmar Rodrigues Cruz. Formado na escola vinda de Jacques Copeau, segundo a qual o diretor ter por missão servir ao dramaturgo, Osmar poderia ser criticado, ao longo dos anos, por excessiva timidez. Longe de mim advogar para o encenador a audácia que às vezes beira a gratuidade. Mas é importante que o responsável pelo espetáculo que une sob a sua batuta a peça, o elenco, a cenografia e os outros elementos, imprima ao conjunto uma personalidade que não se confunde com as demais. Osmar sempre pareceu temeroso de deixar uma marca pessoal, que outros pudessem julgar como tentativa de sobrepor-se ao autor. Em A Falecida, há absoluta fidelidade ao espírito de Nelson Rodrigues e ao mesmo tempo o espetáculo flui com uma liberdade que é do diretor. Não se falseia uma intenção da obra e há uma linguagem autônoma do palco, inclusive na cena final, em que se fecha a cortina e Tuninho chora, diante dela, enquanto estão projetadas no pano as imagens do enterro de Zulmira. Um efeito do desfecho de Vestido de Noiva se reproduz aqui, sem tornar-se um pálido reflexo, mas encontrando, em termos semelhantes, o universo do dramaturgo. Sente-se, na montagem, o carinho compreensivo do encenador e sua identificação com o texto.
O TPS mostrou, em primeiro lugar, um painel histórico da dramaturgia brasileira, e se volta agora para a produção contemporânea. Não houve propósito, deliberadamente didático, mas um profundo amor pelo teatro nacional, de que, aliás, Osmar Cruz é um dos poucos e reais conhecedores. A nova fase do TPS cria obrigações sérias com a coletividade, a que a escolha de um repertório bom e consequente deve responder, depois do acerto dos nomes de Plínio Marcos e Nelson Rodrigues.
(in Osmar Rodrigues Cruz Uma Vida no Teatro Hucitec 2001)



























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sábado, 22 de junho de 2013

TPS – O TEATRO DA PAULISTA

Entrada original do TPS

Final do espetáculo com todo elenco

Em destaque Osmar, Plínio Marcos e Procópio Ferreira




TPS – O TEATRO DA PAULISTA - ABRE SUAS PORTAS, NO PRÉDIO DA FIESP EM SÃO PAULO, COM UMA PEÇA DE PLÍNIO MARCOS EM PLENA DITADURA MILITAR NO PAÍS.

Trechos de reportagem – Última Hora
por Oswaldo Mendes – 26/5/1977

O TPS em casa própria
Depois de catorze anos apresentando espetáculos dentro de uma diretriz popular, em vários teatros alugados da cidade, em bairros e cidades do interior, o TPS inaugura a sua tão sonhada casa própria. Um teatro no número 1.313 da Avenida Paulista com capacidade para 453 espectadores, equipamentos modernos e tudo o mais que ofereça à nossa única companhia popular de teatro, [...].

Aprendendo com a prática
Enquanto muitas discussões são alimentadas em torno do que deve caracterizar um teatro popular – discussões que são sempre importantes e necessárias o fato é que o TPS tem preferido exercitar um conceito. Não lhe têm faltado nesses catorze anos, aplausos apaixonados e críticas severas. As críticas, muitas vezes, têm nascido de imperativos muito mais conceituais, exigindo uma postura definida ou definitiva, do sentido popular que o TPS empresta ao seu trabalho.
Mas parece também evidente que, nesses catorze anos, os espetáculos montados pelo TPS têm procurado mais é facilitar o acesso ao teatro de camadas economicamente impossibilitadas de uma frequencia maior aos veículos de formação artística e cultural. Buscando sempre um repertório que se ajustasse ao objetivo de facilitar o acesso popular, dentro de várias faixas etárias, o TPS tem, nos últimos anos, voltado sua atenção para a dramaturgia brasileira, encenando desde França Júnior a Gonçalves Dias, chegando agora ao contemporâneo Plínio Marcos.
Portanto, não parece ser o caso de se cobrar do TPS posturas formais ou conceituais. O seu trabalho tem um sentido que pode, e está sendo útil na quebra de barreiras que, faz tempo, vem impedindo que o teatro consiga falar às plateias mais amplas, e, certamente, mais carentes de informações culturais e artísticas.


O POETA DA VILA E SEUS AMORES

Trechos de crítica – O Estado de S. Paulo
por Ilka Marinho Zanotto – 30/6/1977

Uma festa digna da poesia de Noel Rosa

Para comemorar os quarenta anos da morte de Noel Rosa, Osmar Rodrigues Cruz organizou uma festa digna do Poeta da Vila: inaugurou o ultramoderno e confortável TPS, na Avenida Paulista, com um espetáculo lindo, envolvente e singelo como a própria música do compositor. [...]. O Poeta da Vila e Seus Amores, com altíssima carga de apelo popular, coloca-se como exemplo a contestação àqueles que prejulgam o gosto das plateias e inundam nossos palcos com as pornochanchadas teatrais numa imitação servil das cinematográficas e visando um êxito duvidoso de bilheteria. [...].


O Poeta da Vila agradou ao público e à maioria dos críticos, e recebeu vários prêmios no ano de 1977:

APCA – Melhor Ator – Ewerton de Castro
APCA – Menção EspecialOsmar Rodrigues Cruz, pela inauguração da sede própria do TPS na Avenida Paulista
Molière – Melhor DiretorOsmar Rodrigues Cruz
Molière – Melhor Cenógrafo – Flávio Império


“Esses prêmios foram significativos, mas os aplausos diários, esses sim, premiavam a todos os integrantes do espetáculo.
Com O Poeta da Vila em cartaz, em setembro de 1978, completamos quinze anos. A nossa meta de implantar o teatro popular, trazendo o trabalhador ao teatro, oferecendo um repertório de alto nível nacional e clássico popularizando cada vez mais o teatro brasileiro continuava e nessa luta o caminho percorrido mostrava que a peça brasileira, o clássico adaptado na sua linguagem, fazia sucesso. O repertório do TPS proporcionava a comunicação com o público popular.
Novas atividades foram sendo incluídas, contribuindo ainda mais na formação cultural e artística do trabalhador: às terças-feiras, dia de folga da companhia, oferecíamos um programa de música clássica e popular alternadamente numa semana e noutra. Foi criada uma galeria de arte, próxima ao saguão do teatro, que passou a promover exposições periódicas e o público, antes do espetáculo, tinha acesso às mostras. O público do TPS já ia espontaneamente à bilheteria do teatro retirar os ingressos para assistir às peças e às demais atividades.” (ORC)
(in Osmar Rodrigues Cruz Uma Vida no Teatro Hucitec 2001)





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